águas curvas (fragmento) sonia regina percorro o meu céu e lavo a escuridão do vale das sílabas. sombras desgarradas mergulham fundo no poço de letras, na ponta de uma corda que construo com as flores, em dança noturna à deriva, na geografia do coração, meu desejo transcende, condensa e chove. Escorre da beira das águas curvas, em direção à habitação dócil que o novo corpo ergueu eu te desenho com o traço grosso do nível erótico e numa estratégia da água da alma te deixo entrar. liberta da muralha dos sentimentos, minha pele abre-se em aves e voa, no oco do ar. dança o poema, no eclipse do meu estar, até que as mãos toquem o chão. E sejam. E agarrem a vida em forma de areia. o vento rosa desliza e, nas meadas de gestos e palavras, desembaraça fios de instabilidade e fragilidade. O vulnerável faz rimas para ver seu reflexo e, no cotidiano, faz eco. |