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por favor, não morras na praia
talvez não na pausa, esteja a voz que te falta;
talvez no molhado da terra, no azul das asas, na mão que te afaga o enigma que traças;
talvez na leitura de ruídos que não decifras, no obscuro dos seixos que rolam nas águas;
talvez na nervura da vaga, na espuma, na fala da maré quando enche e vaza;
talvez venha hoje a manhã que aguardas
foi tanto que nadaste, não te debatas: espera, flutua e, se for preciso, bóia; mas, por favor, não morras na praia.
sonia regina rio, 30.10.06
imagem: E. Brown |
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uma literatura simples, que arda

quero uma oração sem a compostura do texto criado em estufa, cujo sentido escapa e a ternura esquece
quero-a escrita sem esquadro, sinuoso dito de língua eloqüente, um brado
que me capture a alma, na página
quero a carne desenhada, a cores
lasciva paisagem incontida, farta
natureza, imagens comuns
uma literatura simples
que arda.
sonia regina rio, 26.10.06
imagem: Gloria Lamson |
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como uma carta sem destinatário

borda-me com palavras, desenha-me lentamente como uma carta que escrevesses sem destinatário, pelo simples prazer de morar entre as minhas letras
é nessa escritura que te ouço, decifrando-me linha a linha.
sonia regina rio, 25.0.06
imagem: poetrycafe.weblog.com.pt/arquivo/2004_05.html |
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abraço o sol de corpo inteiro

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aberta a uma escrita de mim, abraço o sol de corpo inteiro e nas páginas claras habito provisoriamente.
sonia regina rio, 25.0.06
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adormecido cansaço na fluidez

sonha-me pequena cascata, adormecido cansaço na fluidez.
toca-me o abandono em liqüefeitos gestos, até que eu reencontre a fonte em mim.
sonia regina rio, 25.10.06
imagem: E. Brown |
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simplesmente colhe

mira meus versos. simplesmente colhe o enigma o segredo do sensível liberto nas palavras
o fascínio do poema que aguarda a tradução num idioma possível.
sonia regina rio, 25.0.06
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cogitando o grão

liberto de um deus desmanchado em opacidades,
o sensível fala, na escritura, do mistério do grão
emudece o ídolo
desalojada a abstração carcerária do mapa,
o olhar se entrega ao percurso
e vê, para além do vidro e do aço,
a luz do trigo.
sonia regina
23.10.06 |
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entre os cochilos

vês na escuridão o silêncio que tocas, como molhado brilha, e acorda do torpor os sonolentos líquidos?
entre os lábios despertas, dos sonhos, as gotas
como o orvalho, nas folhagens suadas como a palavra que nasce, quando é dita
talvez nem tão distraído te entretenhas, divertido acendendo no meio da noite as águas da pele
ouves o que sussurram, entre os cochilos?
sonia regina 23.10.06
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há um vão na palavra
(vestígio)

sim, mas com vagar
cauteloso me afaga
envolve-me
assim
acalenta-me o temor
seca-me a lágrima
e do susto me diz
acolhe-me na tua boca
lambe a ferida, a fome
a sede aplaca-me, no vão
da palavra
quando chegar a hora
faz-me feliz
toca-me [que seja leve
o teu toque] a anestesia
que me percorre
desde as entranhas
para que eu acorde
da cicatriz.
sonia regina
18.10.06 |
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poucas certezas, muitos quereres... vida. o melhor presente. sonia regina, 14.10.06
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Eu quero uma casa no campo Onde eu possa compor muitos rocks rurais E tenha somente a certeza Dos amigos do peito e nada mais Eu quero uma casa no campo Onde eu possa ficar no tamanho da paz E tenha somente a certeza Dos limites do corpo e nada mais Eu quero carneiros e cabras pastando solenes No meu jardim Eu quero o silêncio das línguas cansadas Eu quero a esperança de óculos Meu filho de cuca legal Eu quero plantar e colher com a mão A pimenta e o sal Eu quero uma casa no campo Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapé Onde eu possa plantar meus amigos Meus discos e livros e nada mais
Zé Rodrix e Tavito, Casa no campo
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| a música, cantada pela Elis Regina |
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Paraty, a vila das noites douradas
sonia regina
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" A noite é dourada, em Paraty. Quando começa a cair, a vila se revela nas sombras das janelas coloniais que guardam marcas do tempo do império. Por trás de cada sacada a história se adivinha: magia que provoca, surpreende e convida... à reescrita." |
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A vila de Paraty fica no Estado do Rio de janeiro, na Costa Verde que se estende até o litoral de São Paulo. Com charme e nobreza nos recebe em meio a antigüidades, relíquias, bromélias, mares e ilhas, num astral mágico onde convivem caiçaras, artistas, príncipes (lá mora o príncipe Dom João de Orleans e Bragança, bisneto da Princesa Isabel), indígenas (aproximadamente 300 vivem a 17 km, em Rio Pequeno e Paraty-Mirim) e visitantes... Uma população encantada caminha com a história e o Belo pelas ruas de pedras irregulares beirando o casario colonial, ao som de cavaquinhos que entoam chorinhos e serestas.
Fundada no século 16, mantém as características de quase 500 anos atrás. Sua história está ligada a uma velha trilha dos índios Guaianás, que originou o Caminho do Ouro (Estrada Geral da Serra do Mar), uma das mais importantes vias de entrada para o interior do país, ligando o litoral às Minas Gerais. Tendo passado pelos 3 Ciclos que marcam a história do Brasil - Do Ouro, Do Café e Da Cana - é hoje uma das maiores produtoras de aguardente. |
Paraty está entre o mar e a montanha, numa região abençoada: tem uma enormidade de rios encachoeirados que descem a Serra da Bocaina indo pro mar, atravessando a mata atlântica. Há muitas rochas e piscinas naturais, de água doce ou salgada. À beira-mar, o relevo é acidentado: há costões castigados pela violência do mar e enseadas desertas, de águas tranqüilas e areias finas e brancas, com várias praias selvagens salpicadas de pedras que represam o mar, boas pra nadar, mergulhar, velejar. Come-se bem à beira-mar, ouvindo um violão. |

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Natureza, arte, cultura... Obras de valor histórico como o Forte Defensor Perpétuo, construído para defender das invasões piratas no século 18. De dia a pedida é o banho num mar de águas cristalinas ou um passeio de barco às praias paradisíacas das ilhas e, à noite...Bem, a noite é dourada, em Paraty. Quando começa a cair, a vila se revela nas sombras das janelas coloniais que guardam marcas do tempo do império. Por trás de cada sacada a história se adivinha: magia que provoca, surpreende e convida... à reescrita. | | |
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desperta, a indiferença se entrega

uma poesia deserta duvida
apaga-se o movimento
silenciam as letras que provocam,
contraem, se abandonam
desperta, a indiferença se entrega
sílabas se realizam à sombra,
no segredo de novos idiomas.
sonia regina
rio, 8.10.06
imagem: Ruth Bernhard |
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