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 Blog by no fluir da metonímia: poemas e imagens is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License
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viajar pelo riso da terra - sonia regina

viajar pelo riso da terra por um hálito além do lamento aceito a anestesia que fere meus lábios, fujo da simetria e da grandeza dos acenos as fragilidades não levam ao fracasso como o medo das marcas involuntárias - mas não casuais bom seria pisar um sonho e torná-lo chão, um caminho doce livre de prisão ou exílio mas no giro da essência quem se procura flor não se encontra além das pétalas. dança como elas, à volta do centro. quero perceber o sentido do dia cabendo inteiro na noite clara quero tocar o passado e despertar para o recomeço do tempo quero viajar pelo riso da terra sei, nas águas, do fluir secreto da beleza e da cura. sei, é imperioso falar do obscuro e escrever dos pesadelos para que a claridade entre pelas frestas das ruas, mergulhe nos que, sentados nas calçadas, temem principiar a posteridade. sonia regina rio, 10.2.09
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credo - sonia regina

credo creio na dúvida que suspende certezas no que independe de crença para existir acredito no juízo suspenso na inquietação que cria, na angústia da procura que investiga, e busca aqui ir além do devir. sonia regina 7.2.09 após leitura de O Poeta Cético, de Gustavo Bernardo (http://www.dubitoergosum.xpg.com.br/a24.htm ) |
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ao largo do pensamento - sonia regina
 ao largo do pensamento minhas mãos gesticulam sem ponderação cultural ou estética São turbulentas as imagens de um cotidiano atirado como flecha sobre o dia ventos se atracam em contendas águas se avolumam cigarros se assemelham a um arsenal de armas a meu serviço sem consistência mitológica os traços que meus dedos escrevem no ar ao largo do pensamento. quanto me faz naturalizar a minha humanidade! sonia regina 7.2.09
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nenhum alô ou até logo - sonia regina

nenhum alô ou até logo na poltrona o tecido azul me aguardava eu me lançara da folha já sem árvore, o ar e o verso parados na ficção não encontrei o íntimo no banco nem no desejo da água num intervalo das obrigações na mesa nenhum alô ou até logo além do pimentão e da noite os mofos que nunca conheci e teus olhos me abrindo as fragilidades sonia regina 6.2.09
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intencionalidades - sonia regina
intencionalidades olho a imagem que roda à minha volta e liberto a palavra, em ato atemporal. numa poética desejosa de sentidos espiralados, alongo a visão do poema : dialogam a humanidade e a alegoria o profano e o sacro despertam não se vê aprendizados nada legitima conceitos fechados no devaneio fundem-se possibilidades para o sonho imprescindível à vida, da dor e da solidão nascem verdades libertam-se os desertos, no poético; no estado da arte, a consciência. sonia regina 6.2.09 imagem: ulita zlatkovaarte digital: soreg |
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sonia regina - o fogo das nossas sombras

o fogo das nossas sombras o obscuro canta no porão, no sótão brilha a lua acima dos olhos que só vêem uma face e não libertam o dragão selvagem prometido. retirar o fogo das nossas sombras é a alquimia que nos faz nascer da prata após as núpcias do céu e do inferno. sonia regina 23.11.08 |
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sonia regina - e, a língua, arde

e, a língua, arde tesouros compartilhados não me ocultam
na trama da minha fábula, narrativas não são atos de caridade a linguagem flui nas representações. cobiça que se fixem - na terra e na água - o fervor e o júbilo, a ternura, um tempo e distância não lineares e, a língua, arde queima em meus versos - ao colher o enigma - o segredo do sensível liberto na pele : é o fascínio do poema aguardando a tradução num idioma possível. sonia regina 2.1.09 imagem: paula grenside |
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sonia regina - o exílio do olhar

o exílio do olhar os olhos se fecham: não querem ser vistos. é esse o exílio do olhar que se deita com a ausência do toque não há morte a pele espelha sombras; o enredo sem poesia tem narrativa oblíqua; a transparência chora o atrito das pedras escuras que não fazem fogo. sonia regina 31.1.09
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sonia regina - meu texto tem somente hiatos: evita lacunas

meu texto tem somente hiatos: evita lacunas até gosto dos espaços, meus dedos se aprazem com a certeza do porvir. nenhuma espera vazia, portanto, meu texto tem somente hiatos: evita lacunas rechaçadas pela lírica. por vezes nasce um mato no verde chão do meu quintal e eu não lhe peço licença para extirpá-lo: é o câncer da grama. assim cuido do solo, minha casa sorri e nos abriga, a mim e à minha escrita. vivemos felizes, as três, e sem muito pensamento contemplamos a lagoa. sonia regina 29.01.09 imagem: drika landim |
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sonia regina - pouco claras como as noites
pouco claras como as noites à vírgula seguem os espaços e palavras graves agarradas à linha. cantam, obscurecidas, com medo do ponto despem-se de significado exato, dançam pouco claras como as noites [o lado agreste dos dias na mão fechada das trevas] , não como a nudez dos teus dedos. sonia regina 29.1.09 imagem: arnell williams |
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sonia regina - num poema

num poema talvez seja de adão o sopro que vitaliza as pálpebras, acordando as letras contudo somente teu toque amoroso o faria renascer, da carne, num poema és tu o poeta das manhãs, com palavras desenhas sóis cumprem eles as entrelinhas em elipses suaves; como os vôos e pousos da borboleta riscam, coloridos, o ar da página em branco. sonia regina 28.1.09 |
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sonia regina - o pousio dos versos recolhidos

o pousio dos versos recolhidos venta nos lábios a voz de um verso atento ao bailado das folhas, mas o dia é de lavra urbana para a poesia em frente à igreja já não há pombos, pão ou migalhas; a oração sussurra, ainda viva entre os cordéis de lembranças infantis o passeio de uma borboleta não faz tremer o pousio dos versos recolhidos no olhar. sonia regina 27.01.09 imagem: carlos a.a.pereira |
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